22 Horas Raianas - Ep.1


Numa aldeia do interior de Portugal, tão interior que Espanha fica a 10kms, um lisboeta visita o seu primo escultor, para pôr a conversa em dia num almoço de sábado.


A visita seria naturalmente curta, pois a deslocação em sim, já era demorada.
Este almoço acabou por ser bem mais que uma refeição, não demorando 2 mas 22 horas.


O primo lisboeta, de seu nome João, habituado no seu dia-a-dia, a uns almoços ligeiros e rápidos num qualquer comedor nas avenidas centrais da capital, e a uns jantares de convívio nuns restaurantes mais finos, mais gourmet, em que a forma supera o conteúdo, em que a conversa é mais sobre as iguarias que degustam, do que sobre as vivências de cada qual, tão monótonas como semelhantes … ficou fascinado nesse encontro que se desenvolveu como algo vivo, com vontade própria.


Deixou-se entregar … e não se arrependeu.


Tendo saído de casa às 11h, percorreu auto-estradas quase vazias, como todas a que seguem para o interior do país, com o acelerador a fundo para compensar a monotonia das rectas negras tracejadas a branco, chegando às 13h a casa do primo Sentino.


Tendo este sido baptizado pelo tio e padrinho, padre Albertino, com o seu próprio nome, cedo o petiz se revelou com pouco tino. Daí a alcunha surgiu naturalmente e ainda hoje, mais de 50 anos depois, ainda o chamam Sentino.